Meio Ambiente

Desmatamento zero: o que o Brasil precisa fazer para cumprir a promessa

Por Paulo Rezende · 6 de julho de 2025 · Atualizado em 8 de julho de 2025

O Brasil se comprometeu, em acordos internacionais, a alcançar desmatamento zero na Amazônia até 2030. Faltam cinco anos. Os dados mais recentes do INPE mostram que o desmatamento caiu significativamente em 2023 e 2024 — mas os especialistas advertem que o caminho até o zero é muito mais difícil do que os números atuais sugerem.

O problema não é apenas técnico. É político, econômico e social. Reduzir o desmatamento dos patamares atuais para zero exige enfrentar interesses consolidados, mudar modelos de negócio que funcionam há décadas e criar alternativas econômicas viáveis para populações que dependem do uso da terra.

O que os dados mostram

O desmatamento na Amazônia Legal caiu 50% entre 2022 e 2024, segundo o INPE. É um resultado significativo, fruto de fiscalização mais intensa e de mudanças na política ambiental federal. Mas o Cerrado — o segundo maior bioma do Brasil e um dos mais ameaçados do mundo — não recebeu a mesma atenção. O desmatamento no Cerrado cresceu 8% no mesmo período.

"Zerarmos o desmatamento na Amazônia sem cuidar do Cerrado seria como tapar um buraco e abrir outro." — Paulo Moutinho, pesquisador do IPAM

Os obstáculos reais

Há pelo menos três obstáculos estruturais para o desmatamento zero. O primeiro é a grilagem de terras — a apropriação ilegal de áreas públicas que alimenta o ciclo de desmatamento. O segundo é a falta de alternativas econômicas para pequenos produtores que dependem da expansão da fronteira agrícola. O terceiro é a fragilidade dos órgãos de fiscalização, que operam com orçamentos insuficientes e quadros reduzidos.

Nenhum desses problemas tem solução simples. Mas todos têm soluções conhecidas. O que falta, dizem os especialistas, é vontade política sustentada — não apenas em anos eleitorais.

Paulo Rezende é doutor em Ciências Ambientais e editor de meio ambiente da SuperBR.